ISO 9001:2008 – 8.3. Controle de produto não-conforme

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Em várias etapas de qualquer processo, fazemos verificações. Essas verificações podem ser formais ou não. Uma inspeção feita pelo departamento da Qualidade é uma inspeção formal, assim como um teste de laboratório ou mesmo o processo de recebimento do nosso Cliente. Existem também as verificações informais, por exemplo, o empacotador, ele tem como função colocar o produto na embalagem, porém, se ele perceber algum problema, ele o separa, apesar de não ser esta a sua função. Da mesma forma um montador, um operador de máquina, um motorista de caminhão ou qualquer outro que perceba o problema.

Neste momento, formal ou informalmente, identificou-se um produto que não está conforme o desejado ou o especificado. Cabe a questão: o que fazer com ele?

A ISO 9001 versão 2008 no item 8.3 – Controle de produtos não-conforme, deixa claro que é dever da organização, assegurar que produtos que não estejam conforme os seus requisitos devem ser identificados e controlados, de tal forma que ele não seja nem usado, nem entregue ao Cliente.

Primeiro devemos ter clara a definição de produto não-conforme.

Todo produto deve ser previamente planejado. Nesse planejamento, alguns documentos serão criados, dentre eles, uma especificação ou desenho, com detalhes construtivos e suas principais características. Além disso, devemos ter um plano de qualidade, podendo ser um plano de inspeção. Nele, será detalhada a maneira com que serão feitos os testes para que o produto possa ser considerado aprovado. Sem isso, não teríamos uma referência clara de se o produto está ou não conforme.

Imagine que em uma fábrica de parafusos se produza parafusos de 8mm de diâmetro por 50mm de comprimento. Se for encontrado um parafuso com 8.1mm de diâmetro, certamente ele não poderá ser usado e terá que virar sucata, já que ele não entraria na porca. Por outro lado, imagine o parafuso com 51mm de comprimento. Dependendo do uso, não terá nenhuma implicação para o Cliente, já que o parafuso poderá passar pela porca e sobrar um pouco mais. Se a especificação diz que o parafuso deve ter 8mm por 50mm, cabe a quem decidir o destino da produto – sucata, venda ou classificação?

A ISO 9001, ciente de todos esses problemas e dificuldades, determina que a organização deva criar e manter um documento para tratar do produtos não-conforme e esse documento deve aclarar os procedimentos para:

  • Identificar os produtos não-conformes;

Essa identificação consiste em localizar dentre os produtos, quais não atendem 100% aos requisitos e “marcá-los”, de tal forma que ninguém pense que o produto está conforme. Essa marcação pode ser uma etiqueta, pode ser a segregação em um local adequado, tipo uma caixa vermelha escrito “Material não-conforme” ou até mesmo a sua imediata destruição. Contanto que evite o seu uso indesejado.

  • Controlar;

Controlar significa garantir que o mesmo terá a destinação adequada pelas pessoas certas.

  • Execução de ações para eliminar a não-conformidade detectada;

Já que um problema foi detectado, o que será feito para que o mesmo problema não volte a ocorrer, ou seja, a Ação Corretiva a ser tomada.

  • Autorização do seu uso, liberação ou aceitação sob concessão por uma autoridade pertinente e, onde aplicável, pelo cliente;

Como vimos, nem sempre o destino do Produto não-conforme deve ser o lixo. Eventualmente, ele pode ser retrabalhado ou vendido como produto de segunda linha, em determinados casos, o Produto pode ser comercializado normalmente. Porém, somente uma pessoa qualificada pode tomar tal decisão, e o Procedimento deve deixar isso bem claro.

  • Execução de ação para impedir o seu uso pretendido ou aplicação originais;

Uma ação eficaz deve ser definida para garantir que esse produto não se misture e seja usado inadvertidamente. Essa ação deve ser documentada.

De maneira quase redundante, a norma chama a atenção para cuidados especiais que devem ser tomados caso o Produto não-conforme só seja identificado no Cliente ou após o seu uso. Isso porque a gravidade toma proporções maiores fora dos muros da organização. Desse modo, a ação corretiva deve ser ainda mais rigorosa.

Quando um Produto for submetido a um re-trabalho, o mesmo deve obrigatoriamente passar, pelo menos, pelos mesmos testes que o detectou, para garantir a sua conformidade.

Vale lembrar que os registros, ou dados desse problema e das ações tomadas devem ser mantidos para servir de base para novas investigações, conforme reza o item 4.2.4 – Controle de registros da qualidade.

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Alvaro Freitas

Graduado em Engenharia Elétrica pela Faculdade de Engenharia São Paulo, Especialista em Gestão da Produção pela Universidade Federal de São Carlos - UFSCar , Engenheiro da Qualidade pela Poli-USP e Especialista em Educação em Ambientes Virtuais pela Universidade Cruzeiro do Sul - UniCSul. Atuou por mais de 20 anos na indústria Automotiva e 10 anos na indústria de Telecomunicações. Autor de 3 livros relacionados a sistemas de gestão e educação online.

Website: http://academiaplatonica.com.br

2 Comments

  1. Adson,
    Obrigado. Pode ter certeza que é feito com amor.

    Um abraço,
    Alvaro Freitas

  2. Adson Oliveira

    Olá!

    Gostaria de parabenizar o site pelos grandes conteúdos de qualidade descritos de forma clara sobre sistemas de gestão de qualidade!

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